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Bóia da Canal

Bóia da Canal

TAPA-ESTEIRO | Vários Autores

Lançamento - 1 Abril  às 18h30 -  Auditório da Biblioteca Municipal de Tavira

 

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Apenas olhar é ver menos.

Só sentir é ler pouco.

Simplesmente escutar é ouvir nada.

Com tempo olhar é ver mais.

Deixar-se ficar a sentir é ler muito.

Atentamente escutar é ouvir o máximo.

MARIA AFONSO | Corpo Irrepetível

|  A autora que publicou em 2016, com a CanalSonora, o livro ( eu diria que nevava ), considerado pela própria como um momento que catapultou as suas possibilidades criativas, acaba de editar pela Edições Sem Nome o livro 'Corpo Irrepetível', com fotografias de Jorge Velhote ~

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é nesta água que se afundam
poços escuros
mãos seguram
comportas
a noite não tem jardins onde se
espelhem as cigarras
a solidão é um corpo anestesiado
um barco ao vento
ainda assim aguardo que me
arranques esta sombra
aceites beber do poço
que inventei em mim

VAN S.A | Conto de Natal 2021

  | Como habitualmente nesta quadra, Van S.a, envia-nos,  de Londres,  o seu conto do natal possível ... ainda que

29472349_10212537172405767_4518038452721156096_n.jfoto ~ Jorge Jubilot 

 

Certificado

 

É domingo, um dia aparentemente deprimente, nos instagrams de cada um, terá expirado o certificado digital da nossa relação com os outros?

Esta manhã clara precipita-se para o meio do pequeno dia. o futuro é apenas uma tarde curta que te vai ditar números, estudos e estatísticas de um mundo tão global de despistado nas curvas e contracurvas da realidade. façamos um teste rápido à nossa humanidade depois de um, mais um ano (2021dc) à experiência.

A tarde desprendida em azul, não é necessariamente um sinal de paz duradoura no tempo, que se simula etéreo, mas esconde sempre algo mais efémero, nas dúvidas, que lentamente se instalam, terão de se diluir no que há de benevolente no crepúsculo.

À noite, santa e feliz, esperamos resolver, com essa nova app, o apocalipse dos afectos gastos e depois desejados, e dos pinheiros derrubados e enfeitados. estamos assim temáticos, mas já não sentimos o espírito do natal, esfumou-se entre a nossa fome consumista.

E se não soubéssemos, diríamos que o melhor ainda está (sempre) para vir porque aqui chegados, teremos sobrevivido, embora continuemos isolados, confinados na nossa mediocridade existencial.

NUNO da QUINTA CASIMIRO

de 'Não Sei Dizer Como Procuro Ser Noite'

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Lume médio

 

scroll scroll
tudo visto de baixo para cima
noctambulismo obstinado
despacha as reticências
para a impaciência trauteável
em cima do fogão em lume médio.
sobe sobe
escadaria enviesada
que suspende a respiração
a cada dois pulos apressados
fugindo do que congestiona
as maneiras de pensar
uma mensagem já lida em suspenso.
refresh refresh
algo escapa a cada minuto
se não estiver atento
à falsa partida que dá fome
a quem esquece o jantar.
há uma conjugação entre
os recantos das danças
e as estações do tempo –
pouca memória pode custar
uma chegada galopante ao acaso.

LUÍS OLIVEIRA

cs24 | livr~out17 | Crisântemos de Abril 

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estalam-se-me

os ossos neste velho corpo com uma Alma ainda mais antiga.

nos olhos, o reflexo de outros olhos, olhos-estrela ancestrais

olhos que giram de encontro ao desconhecido

são como hélices num movimento perpétuo de encontro ao novo

enquanto se reciclam sonhos escutando escombros de visões futuras

na ponta dos dedos da insónia

alimento o estômago vazio com festins apenas imaginados

pelos vestígios de tinta e desperto

desperto empalado nos espinhos afiados de uma rosa-poema

naquele jardim plantado neste peito aberto à ausência

solitariamente fechado ao Mundo

NUNO da QUINTA CASIMIRO

Junta-se ao grupo de autores publicados com a CanalSonora
O seu livro de estreia surgirá em maio, em data a anunciar brevemente.
Tem gravuras de Rosalinda Rita, que partilhamos com o poema.
 

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Meia-haste

 

Não sei dizer como procuro ser noite.
Vou ali à gaveta do meio
amarrotar as falácias
e corto a vida em direção
a sul de nenhum norte.
Já fecho a porta atrás de mim
mesmo que não conheça consolo
no minuto seguinte esquecido.
Gostava que fosse assim tão breve
a voz que abre o olho
mas até agora nada ouvi.
A mesa é farta e percorre a atenção
alumiada pelas luzes a meia-haste
e ancorada no rescaldo do que passou.
Não sei dizer como procuro ser noite
no peso morto das danças
que pouca memória empresta ao acordar.
À minha volta perfilam-se os passos
grosseiros e toscos em cada degrau,
coisa pouca nesse lado decorado.
Vou de dois em dois saltos
numa loucura de chegar mais cedo
aonde a tua boca nunca estará.
Enrolo as mãos a medo:
talvez o calor se guarde
enquanto esqueço as horas.
A cabeça alonga-se e não encontro
o sol já no alto das nuvens.
Se calhar não vale muito
reconhecer uma cara em
constante perda de tempo.
O ânimo emperra nas mãos
e o olhar cruza-se sem medida –
está na moda andar torto.
Não sei dizer como procuro ser noite.

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